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CLAREZA FINANCEIRA

Economia 22/07/2026 Nylcemara Brandão 93 visitas

por Nylcemara Brandão

Leitura por síntese de voz

Você tira dinheiro da empresa ou recebe um salário dela?

Toda semana, uma conversa prática sobre gestão, finanças e crescimento, para quem toca um negócio no mundo real.

Existe uma frase que eu escuto quase toda semana quando começo a acompanhar uma empresa: eu tiro dinheiro quando preciso.

Parece natural. A empresa é sua, o dinheiro é seu, então por que não pegar quando surge uma necessidade? O problema é que esse hábito, tão comum, é uma das principais razões pelas quais o empresário nunca sabe se o negócio realmente se sustenta.

Quando você retira valores sem regra, dois bolsos se misturam: o da empresa e o seu. E quando eles se misturam, fica impossível saber onde termina a conta da empresa e onde começa a sua vida pessoal.

A solução tem nome: pró-labore.

Pró-labore é o salário do dono. É um valor fixo, definido com antecedência, que você retira todo mês pelo trabalho que faz na empresa. Nem mais quando o caixa está cheio, nem menos quando está apertado. Um valor combinado, como o de qualquer funcionário.

Pode parecer só uma formalidade, mas essa simples decisão organiza duas vidas ao mesmo tempo.

Na sua vida pessoal, você passa a saber com quanto pode contar todo mês. Sua casa deixa de depender do humor do caixa da empresa. Você planeja suas contas pessoais com um número real, e não com retiradas imprevisíveis.

Na vida da empresa, acontece algo ainda mais importante: o negócio passa a mostrar a verdade. Quando o seu trabalho tem um custo fixo registrado, você descobre se a empresa se paga sozinha ou se ela só fecha as contas porque você trabalha de graça sem perceber.

E é aqui que mora a parte que quase ninguém enxerga.

Muita empresa parece lucrativa só porque o dono não se paga. Ele coloca horas, esforço e dedicação, mas não lança isso como custo. No papel, sobra dinheiro. Na prática, se ele contratasse alguém para fazer o que faz, o negócio ficaria no vermelho. Isso não é lucro, é um prejuízo disfarçado de esforço pessoal.

Definir o pró-labore tira essa máscara. Você passa a enxergar a empresa como ela é de verdade, e não como ela parece quando o seu trabalho é invisível.

Como começar? De um jeito simples:

Primeiro, defina um valor realista para o seu trabalho. Pergunte-se quanto custaria contratar alguém para fazer o que você faz. Esse é um bom ponto de partida.

Segundo, trate esse valor como qualquer outra conta da empresa. Ele entra na lista de despesas do mês, com a mesma seriedade do aluguel e do salário dos funcionários.

Terceiro, resista à tentação de pegar mais quando o caixa parecer folgado. Aquele dinheiro extra quase nunca é sobra, é obrigação que ainda não venceu.

Ter um pró-labore não é engessar sua vida. É o contrário. É a diferença entre viver na incerteza do quanto vai sobrar e ter um chão firme para pisar todo mês, sabendo que a empresa e a sua casa têm cada uma o seu lugar.

Empresa saudável paga o dono.

E dono que se paga enxerga, pela primeira vez, se a empresa realmente fecha as contas sozinha.

 

PERGUNTA DA SEMANA

Se você tivesse que contratar outra pessoa para fazer tudo o que você faz na empresa, ela pagaria esse salário sem entrar no vermelho? Pense nisso até a próxima coluna.

 

Nylcemara Brandão é consultora em gestão financeira e estratégia empresarial.

Instagram @nylcemara.brandao  ·  WhatsApp (32) 98426-3506

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